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18 setembro 2009

Vivamos, nós que estamos vivos!

Passeei ontem pelo Cemitério da Consolação, em São Paulo. É uma galeria de arte - da mais fina arte - a céu aberto, e era precisamente isso o que eu visitava.
Claro que a dor dos parentes congelada nas estátuas de bronze e mármore sobre criptas de cem, cento e cinquenta anos de idade, torna o passeio abalador no bom sentido, sem falar no inusitado silêncio em um bairro movimentado de São Paulo, na ausência de semoventes fora eu, minha filha e uns passarinhos que pareciam cantar repetidamente "es-que-le-to" (que espécie será?), nos ciprestes romanos que conferem um quê de Porta do Hades ao local, no cheiro de cravo de defunto, na vegetação rasteira que, com paciência, vai tomando conta dos túmulos menos visitados, e sem falar em toda aquela pedra, o material "eterno" escolhido pelas efemérides humanas que têm esperança de também ser eternas...
É mais comovente essa vã esperança traduzida nos túmulos e nas ebúrneas figuras desesperadas do que a própria dor sentida pelos entes que ficaram ou pelo destino dos que partiram, já que, afinal, é o destino de tudo o que vive.
Humano, demasiado humano. Passei a achar cemitérios desse tipo, tradicionais, mais bonitos e inspiradores quando neles vi apenas o seu lado humano - que é o único que há. Nada disso se sente no Campo da Esperança, esta porcaria espartana daqui de Brasília, onde só há cerrado, cruzes toscas, fotos esmaecidas e velas, os três últimos o que de pior pode haver em um cemitério - depois do corpo de um conhecido, claro!
Vivamos - e vivamos bem -, nós que estamos vivos...

10 setembro 2007

Cidades e a propriedade

À esquerda, caro visitante, temos a favela de Paraisópolis em São Paulo, a locomotiva brasileira. Acima, mais uma casa à venda no distrito de São João do Rio Vermelho, município de Florianópolis. Capital esta que vive de subsídios ao funcionalismo público e manutenção de empresas "públicas", digo, estatais com recursos extraídos de ricas regiões produtivas do estado de Santa Catarina. A semelhança entre as paisagens é pouca, mas a situação legal é idêntica: tanto as favelas, quanto a casa, cuja situação expressa a quase totalidade da Ilha de Santa Catarina, não têm registro de imóvel ou escritura pública. Apenas são posses.
A realidade brasileira é muito heterogênea. Portanto, quando se fala em "desigualdade" opondo ricos e pobres neste país, é bom que fique claro que as pesquisas e estatísticas não diferenciam um caso do outro quanto ao seu status de propriedade, isto é, nenhum.
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Veja mais em
A verdadeira desigualdade - sobre o mesmo assunto;
Abuso - sobre o assédio de padres católicos a menores de idade;
Justa Causa - dica de filme que aborda a questão da pena capital;
Nós e eles - sobre nossa relação com outros animais;
Uma voz do bom senso - interessante entrevista com fundador e ex-membro do Greenpeace;
Fogo - uma análise das causas dos incêndios florestais e a mistificação da mídia;
Assim é sacanagem! - sobre a desonestidade metodológica na contabilização das espécies ameaçadas;
(I)logística - sobre a singular maneira como a infra-estrutura é planejada e concretizada neste país.