25 setembro 2006

O Aborto, sob uma Visão Liberal

O zigoto possui um DNA diferente do pai e da mãe, denunciando a formação de um novo indivíduo, ou melhor, de um novo ser humano. Do ponto de vista da doutrina liberal, portanto, não será exagero dizer, conquanto possa ser hilário, que o zigoto é a pessoa mais pobre da sociedade, pois todo seu patrimônio consiste em uma única célula!
Querer especular que uma gravidez possa ser interrompida, aos três meses, ou aos nove, é abrir a porta aberta do relativismo que pode autorizar o assassínio de um “serzinho” indefeso minutos antes de vir a respirar, ou mesmo depois, porque, ora, como diz aquela piadinha maldosa, depois que entrou a cabecinha...

6 comentários:

Renato C. Drumond disse...

Bom artigo, mas eu discordo num ponto em particular: será que podemos definir realmente a vida como começando na fecundação?

Creio que o melhor modo de resolver esse problema seria adotar, para o início da vida, o mesmo critério para se decretar a morte, ou seja, o fim das atividades cerebrais.

Logo, a vida humana começaria com o início da formação dos neurônios. Não sei exatamente quando isso se dá, mas me parece que é com menos de 3 meses(preciso conferir), o que permitiria o uso da pílula do dia seguinte e de outros medicamentos abortivos.

De qualquer forma, parabéns por levantar esse tema, da mesma forma que levantou o tema da adoção de crianças por casais homossexuais. Serve para lembrar que liberalismo não se resume apenas à esfera
econômica.

Gil Vicente disse...

Ora, para matar alguém sem culpa, é preciso antes tirar sua humanidade. Assim fizeram os nazistas.

Essa história do início da vida humana no início da formação dos neurônios - ou quando o SNC já está formado, ou no início da consciência, segundo outros - soa como uma maneira de justificar o injustificável.

O "fim das atividades cerebrais" - ou melhor, a morte cerebral - ocorre quando há morte dos neurônios cerebrais e esses não poderão funcionar mais.
Mas uma overdose de benzodiazepínicos, por exemplo, pode provocar o fim das atividades cerebrais, mas temporária.
o embrião, por outro lado, vai ter atividade cerebral mais cedo ou mais tarde se nada o impedir.

Usar um critério criado para facilitar a doação de órgãos - ou seja, para ajudar outras vidas - para justificar a morte de embriões não é apenas uma falácia esperta, é diabólico.

Renato disse...

Caro Gil, penso que o critério do fim das atividades cerebrais é razoável e resolve o problema, por exemplo, do aborto de fetos anencéfalos, caso em que o embrião não desenvolve a atividade cerebral.

Não pensei em nenhum momento em termos de facilitar a doação de órgãos, nem sei como isso se daria no caso em que a mulher se utiliza, por exemplo, da pílula do dia seguinte(não creio que a essa altura o embrião tenha desenvolvido qualquer espécie de órgão aproveitável).

No mais, por ser agnóstico não acredito na figura do diabo, portanto ela me é irrelevante, apesar de considerá-la assustadora.

abraços,

Renato Drumond

Klauber Cristofen Pires disse...

Aos amigos que fazem seus comentários,

É um pouco contra os meus princípios replicar os comentários dos leitores - imagino que isto frustra um pouco a liberdade que têm eles de mostrarem seus pontos de vista.

Se me permitirem, contudo, abro uma pequena exceção, para inserir informações que não dependem de meu ponto de vista, conquanto ainda eu concorde com elas:

a) o início da vida, como foi dito no artigo, se dá com a nidação; este é o atual conceito médico, e também jurídico.

b) Do ponto de vista da doutrina liberal, não nos cabe especular sobre a capacidade de o embrião sentir ou saber o que fazer com o seu corpo. Se seu corpo se constitui de uma única célula, ainda que por um átimo de segundo, este corpo, de uma célula só, lhe pertence, e somente a ele.

A doutrina liberal não permite relativizações porque são elas que justamente abrem a porta para especulações que jamais terão fim.

Eu ainda não sei o que fazer com uma porcaria de um livro que andei comprando - mas isto não significa que alguém tome para si o direito de tomá-lo de mim, sob este argumento; no momento adequado, eu decidirei se o darei de presente, ou se o coloco para segurar a porta.

Há pessoas portadoras de uma doença/disfunção especial cujo sintoma é a ausência de dor. Mas ninguém está autorizado a matá-las sob o argumento de que não sofrem.

Qualquer argumento de usar, e isto compreende também destruir o embrião, sempre se funda, de acordo com a lição de Hoppe, em "ar rarefeito", isto é, em razões exteriores e subjetivas, desconectadas de um elo natural entre o possuidor e a coisa possuída.

O zigoto tem vida, e isto é um dado objetivo e concreto. Se não é vivo, então é morto, ou não-vivo. Não existe um ente "ligeiramente" vivo. Seu código genético informa que ele não é seu pai, nem sua mãe.

Abçs.

Cleber disse...

A pílula do dia seguinte pode ser justificada sem apelar para o argumento "Sistema Neurológico equivale a ser humano legal". O processo de concepção não é imediato. Demora em torno de 22 horas e nesse período, não há ainda um embrião e sim uma célula disforme com com um pedaço de célula do espermatozóide. Não dá nem pra falar em um "indivíduo" pois não houve combinação ainda dos DNAs e portanto ao tomar a pílula dentro do período de 22 horas, não houve morte de nada que se pareça com um embrião.

O argumento baseado na teoria do "Sofrimento" como valor moral, que é defendido por Peter Singer por exemplo, é muito ruim pelo exemplo citado acima. No entanto, o argumento de que basta algo ser vivo pra pre ter proteção legal também não é dos melhores. Segundo esse argumento eu não poderia realizar um aborto mesmo que para salvar a mãe, pois se não eu estaria matando um ser vivo! Ou seja, éticamente o médico seria obrigado a tentar tudo que pudesse para salvar ambos e se não houvesse então deveria abster-se de decidir quem salvar pois caso contrário estaria cometendo uma falta moral. Eu considero essa consequência inaceitável pois coloca do ponto de vista moral sobre o mesmo pé de igualdade uma mulher adulta e um embrião quando sabemos que o que nos torna humanos é o ser um animal racional. Logo a teoria de desenvolvimento neurológico é um bom fundamento para uma defesa do aborto até aproximadamente 3 meses.

Tem uma coisa que o autor do texto repete mas não parece nada lógico e racional. Por quê o ponto de vista liberal necessariamente seria contra o aborto? De fato isso estaria, talvez, mais de acordo com um liberal-conservador. Mas ao contrário do que os conservadores possam imaginar, existe o liberal-progressista, o libertário e simplesmente o liberal crítico que não pensa que argumentos de autoridade (religiosos), apelo simples a tradição e outras falácias sejam suficientes para justificar qualquer coisa. Abraços liberais!

Fernanda Kyle disse...

Bem legal isso,me ajudaram no meu trbalho de biologia
\o
thanks!
:*
adorei esse blog,caro,escritor(a) quando eu crescer quero ter um blog igual ao seu;
Beijos